29.5.09

Colírio

Apenas para pingar umas gotas de beleza nos olhos alheios.


Clica ai no título e boa viagem!

22.5.09

Suape

Pontal de Suape. Um ótimo lugar para flutuar.


Essa chuva toda que cai por esses dias só consegue fazer uma coisa comigo: aumentar a saudade que sinto de Suape. Engraçado que quando penso em Suape vem ao mesmo tempo um sentimento gostoso de lembrança de como ela é hoje e de como era no passado. Sem serem separados, uma coisa estranha, mas que dá uma cosquinha de alegria no coração.

Suape de tantos momentos únicos, de tanta vida. Não consigo nem escrever o que é Suape pra mim. Suape que já faz parte da vida de Dora, Suape onde conheci Carol, o amor da minha vida.

Deixo aqui um texto escrito por Pardal no dia em que a palafa foi demolida para dar lugar ao hotel. Pardal é famoso lá em Suape, e por essas coincidências da vida é também meu pai.

DESENCANTO

...ah Suape
Tu que adentravas em minh'alma com teu por de sol
que me fazias louco de prazer em cada banho em tuas croas nuas
que me fizestes beijar cada palha de prata ao luar
que me destes consciência do valor do simples
...não podia te vender

...ah Suape
Suape de DuOuro, Suape de Mané Pinica, Suape do marujo Báu, de Badú, de Armando Holanda, de Preta e do "pé de peixe".
Suape dos mangues, do cabo e das croas. De caminhadas musicais, de conversas simples, da caninha e da Saúna.
...não podia te vender

Suape que me fizestes flutuar a cada estaca que fincava pra fazer a Palafita, que me fisestes abrir as portas pra tantos que antes não entendia. Que me fizestes crescer.
...não podia te vender

...ah Suape
ainda irás acolher em tua areia a lágrima de muitos...

De todas as casas que habitam dentro de mim, essa é a que mais me protege.

16.5.09

Abafado (com a tecla do space quebrada)

Aímeudeusdocéuseráquevamosmorrertodoscozidosnesseabafado?

7.5.09

Beatles a Granel

Do sempre genial Tom Zé

Amar, amar, amar
Demais é só

Sofrer demais é só
De nada há
Sobrar de nada há
Faça melhor
Que deus faça melhor
Amar, amar

Amar
Olhe aí o macho a cantar
Amar
Mentiras a desfiar
No seu tralalá
Amar, amar, amar
Se a mulher enternecer
É pão-de-ló
No suco de caju
Mas se ela enfurecer
Pra ele é só
Amor com red bull

Amar é só só só viver
Tirando versos vai
Pra ser
Na velha lira, sua lira...
A casca pro outro
No cio eterno seu

Viver
Delira, ele delira, ele delira
E ter e ter e ter

Quanto maior romantismo
Mais cruel se transfigura
O carinho em tortura

Amarguras mil sem ter
Por que nem pra que tecer
E ser...

Destruindo a mulher
Vai ficar sem o tripé,
Sem panela e sem colher

Como uma varinha de condão
Pra quando riscar no chão
Espalhar...

Espalhar no céu
Beatles a granel
Em sonhos de papel
Porque na vida
Amar é fel e mel
Amar é fel e mel

Mel? mel o quê, seu vagabundo! quero lhe mostrar algumas das crueldades que caíram sobre a mulher nestes séculos. então fique aí escutando, vamos ver.

29.4.09

Cinzas Nuvens

Hão de passar esses dias em cinzas nuvens. O vento vai soprar novamente e empurrá-las para bem longe, deixando à mostra mais uma vez o dia ensolarado.

À noite enluarada.

24.4.09

Afônico


Quarenta e oito horas depois continuo afônico. Culpa de Moacyr e Vandinho. E da chuva que caiu uma hora antes do jogo. E que jogo! Emoção do começo ao fim. No segundo tempo o time entrou apagado e levou um gol logo de cara. Parecia que iria tomar mais uns dois.

Nelsinho "Yoda" Batista havia feito uma alteração que parecia o fim da picada. Tirou Ciro que vinha bem na partida e colocou Fumagalli que entrou mal, errando muito. Depois colocou Luciano Henrique e Guto. O time cresceu e deu no que deu.

O resto é história e histórico. O segundo gol foi chorado, eu sei. E eu chorei um bocado com ele.

Para Carol, com amor.

E para Paulinho com admiração.

22.4.09

Para o alto, para a terra


Bem na frente do meu campo de visão - aqui no meu trabalho - estão construindo um prédio. Faça chuva ou faça sol os camaradas estão ali, já pelo sétimo andar, pendurados, com suas roupas azuis e seus capacetes amarelos. Vão cada vez mais para o alto, pra perto das nuvens. Cada vez indo mais longe do chão, para garantirem seu feijão com arroz no final do dia, bem aqui, no térreo.

Fico maravilhado com a capacidade do ser humano inventar as coisas. Nos dias de hoje é normal, estamos acostumados com prédio, aviões, navios, metralhadoras e napalmes. Acho que ainda não perdi esse brilho no olho. Essa faísca pelo encantamento das coisas criadas pelo homem e que se encerram em si próprias.

Construímos prédios altíssimos, e moramos um embaixo do outro (ou encima, depende do ângulo que se olha). Ficamos a metros de distância do chão, mas todos os dias precisamos descer cá embaixo, na terra, para dar prosseguimento às nossas vidas.

No prédio aqui da frente os caras trabalham com afinco. Há seis meses não existia nem esboço desse edifício. E agora já dá para perceber sua estrutura, o local do elevador, o local das escadas, essas coisas que nos levam todos os dias para o alto, e para a terra.